domingo, 25 de março de 2012

Dói pensar

O que nós sabemos afinal de contas? Se tudo é mundano e passageiro, surge um medo inesperado de ficar pra trás, de ser esquecido. Sigo como que nessa luta insensata por algum amor, alguma atenção, por algum sentimento que dure além da nossa biologia inútil. Exercito-me com a cabeça, porque o corpo é preguiçoso, é lento, é feio, é cansado. Mas a mente também não é? Sim, também, talvez até mais, talvez até mais incomoda, e o que se pode fazer? Essa pergunta resume e conforta todas essas nossas pequenas questões antes de dormir, é uma boa pergunta.

Me perdi mais uma vez, me perdi no vão das tuas opiniões, eu me perdi onde vocês todos se encontram tão facilmente. Eu luto pra não me incluir fora dos seus grupos, mas o sentimento é natural, sinto muito. Como que prevendo todos os próximos acontecimentos eu fecho os olhos e espero o tempo passar. Eu não consigo ser tão maduro. Fui narciso demais pra vocês? O que mais nós devemos ser se não egoístas? Ainda tem tanto que eu quero fazer e eu faço tão pouco pra um dia poder fazer. Me cansa saber demais. Dói pensar.

domingo, 26 de junho de 2011

As pessoas

Não há muito pra falar agora. O bom mesmo é se não existe a necessidade de falar. Se o olhar falasse como com poucos fala. Verdade mesmo é que já não dá mais. Talvez isso é que seja um sonho, não o que a maioria das pessoas falam. É uma porcaria estar com isso na cabeça, mas ela não está tão boa de qualquer forma. Deixa pra lá, tchau tchau. Fecho-me como uma ostra de novo. "Saibamos pois, estamos sós."

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ok

Ok... Ok, pouca coisa, pouca palavra, pouca sensação. Eles disseram. Nós ouvimos. Ok, pouca vontade, pouco saber, pouca saudade, pouco de tudo que me fez saber que era muito de nada. Vi de longe a brisa bater forte a minha porta, fechá-la, cá eu fiquei, fechei devagar os olhos, adormeci, nadei nos meus sonhos, tentando me afogar, bati a cabeça numa pedra. Ok, pouca poção, pouco demais, pouco de muito, fecho aqui todos livros e cartas entreabertas, te conto o que  eu não quis antes, contar, melhor, deixo-me calado, decifra-te e depois me conta, melhor, não me conta, guarda pra ti, finge que é teu. Ok, pouca imagem, pouco sumiço, não vejo mais ele aqui.

Ok, pouca felicidade, muita melancolia, você, pegue essas facas, sim, segure-as, todas, sem medo, com vontade, atire-as em mim, uma a uma, não sei a velocidade, não sei se vi, mas lance-as, não vai errar, confie em mim. Rasgue, não cole, nem tente, acabou, sumiu. Ok, fez-se assim de verdade, de mentira, de faz de conta, de omissão, do que mesmo? Ok, acabo aqui, digo sim, digo não, não digo nada, digo o que eu não quero dizer, fico calado, desarmado, a cabeça cheia, feia, feita, adeus, digo, não digo, dane-se. Ok, é só. Ok.

domingo, 19 de junho de 2011

É, talvez

Talvez eu tenha realmente entendido alguma coisa, talvez não. Mas agora eu reflito bastante e vejo o motivo de ti eu me afastar. É doída a sensação de querer você exatamente agora e ter exatamente quando? Realmente é ruim escrever sobre essas vontades, quero dizer, do que elas valem aqui guardadas só comigo, devia eu me abrir de vez ou me fechar de vez? É uma dúvida que só se prolonga com as tentativas de respostas. Perspectivas, expectativas, porcarias. Amanhã vai ser um dia difícil. Talvez eu pinte mais um teatro pra nós dois na minha cabeça inútil, talvez não.

Não sei, não sei mesmo como agir. Sentir falta ou não. As vezes me sinto como uma garrafa pequena que ou se enche rápido demais de emoções ou se esvazia rápido demais. Que droga. De fato, eu sou pequeno, minúsculo, inexpressivo, um quadro apagado. Deixa estar. Eu aguardo você aqui só. Pra que pedir mais? Pra onde eu vou de qualquer forma? Talvez você chegue aqui, talvez não.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Pelos dias bons

Alguém tocou meu ombro hoje, me puxou de leve, não era estranho, mas não poderia chamar de um tão bem conhecido, alguém amigável. Me apontou, apontou ao céu, abri o som dos meus ouvidos pro mundo e segui a ponta do seu dedo que guiou meu olhar até a imagem da lua em eclipse, aparecendo aos poucos, se enchendo aos muitos. Senti uma vontade contrariada de me paralizar e admirá-la por quanto tempo eu pudesse continuar, mas verdade é que não pude, não porque realmente não poderia, mas porque no mundo onde eu vivo você não deve ficar parado, você deve andar, não, você deve correr, correr, corra garoto, corra, ou eles irão tomar tudo antes de você.

Eu poderia transformar aquela imagem em tudo que eu quisesse, ela me inspirou, verdade seja dita, as palavras saíram fáceis, os acordes se juntaram, mas ainda não me exibem, não como eu quero, talvez minha alma ainda não consiga sair em cordas, mas por enquanto permaneço aqui e comparo a lua a essa sensação pertinente que eu tenho de que nunca consigo dizer adeus à você. Você sempre se vai do nada, some, desaparece, não some de fato, mas evapora, e eu nunca sei se realmente vou te ver de novo. Como julgar essa sensação até agora eu não descobri, navego na minha mente, ela hoje está especialmente leve, está livre, pronta pra me jogar onde eu quiser, pronta pra me mostrar que a carne nada mais é que a carne, pronta pra me mostrar que o meu mundo não é nada mais nada menos que a minha cabeça.

Mas eu não vejo suas costas indo embora, não vejo o fim, não vejo o começo, não vejo o meio, vejo fragmentos, e você não pode dizer adeus a fragmentos, você não precisa, eu não preciso, o que eu faço é diferente, eu tento juntar todos esses fragmentos e tento montar uma história, mas o máximo que eu consigo é uma fantasia. Não me frustro, pra ser sincero histórias cronológicas demais não são histórias reais, são invenções, a vida não tem meio, não tem começo, não tem fim, como eu saberia qual é cada um desses, é uma coisa tão variável. De fato eu sou um enorme prédio, velho, desbotado, mas daqueles que você vê e tem carinho apenas pela presença, porque esteve lá o tempo todo, talvez você sinta falta quando aquele novo prédio espelhado surja e você possa ver seu reflexo, mas o fato é que sou justamento um prédio desbotado porque cada um pega uma pequena parte minha, pequenina, enorme...

Esqueça tudo o que eu já disse, não quero montar seus fragmentos, não pretendo nada, de verdade, a única coisa que me satisfaria seria justamente não ter que ter que te dizer o que seria, seria apenas por ser. Natural.  Mas esconda-me onde você quiser, guarde-me, alimente-me, não sou mal, nem bom, sou um velho prédio, ou um prédio velho, não sabe-se ao certo. Jogue fora tudo, olha apenas pra dentro do que você quer olhar, aparências não são absolutamente nada. Ignore o mundo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Bicho

Nunca realmente imaginei como seria, mas nem realmente sei se é o que é, de qualquer forma, entre o pior e o melhor, sempre iremos escolher o pior. E com o tempo extra, diferente dos filmes, é claro, não vejo o que fazer, isto é, não prego os olhos, mas reviro na cama atrás dele, o sono, infinitamente, não consigo encontrá-lo. Na verdade, bem nem sei o que procuro, muito mais abro os olhos tentando encontrar um alvo difícil de encontrar e persegui-lo até onde eu me frustrar novamente. Meus olhos continuam abertos, eu poderia expressar isso de outra forma, mas só consigo aqui, me escondendo, sem saber realmente se consigo.

Nós temos duas opções de olhar as coisas, uma nós olhamos pra determinada coisa e simplesmente a simplificamos, não pensamos aonde ela nos irá levar, aonde não irá, não pensamos em mais nada, apenas no cru e sensível da situação. No outro olhar nós pensamos em tudo que foi mencionado, nós paramos e vemos que aquilo poderia nos levar a caminhos totalmente diferentes. Esses dois olhares permanecem se conflitando. Talvez o segundo não seja tão saudável, então o primeiro irá levar você até onde você se torna um cético na vida, crítico demais pra perceber que nem tudo se trata de estar perfeitamente adequado para você.

Minhas palavras são fracas, pobres, feias, cruas, não atraem. Eu estava prestes a escrever "me sinto" mas na verdade não sinto droga alguma. A verdade é que eu só não queria ter que ser, só queria virar bicho.

domingo, 5 de junho de 2011

Doce amiga

Ela realmente não pede licença, ou talvez eu já a tenha deixado muito familiar a ponto de se sentir em casa. Ela é persistente, sempre acaba me dominando, me invadindo e me dizendo tudo o que eu não quero pensar, muito menos lembrar. Eu tento fechar os olhos, mas eles parecem funcionar com minha mente que teima em permanecer ligada. Ela me joga no canto e me deixa ali calado, eu devia dizer alguma coisa pra talvez tentar afastá-la, a verdade é que talvez eu nem queira fazê-lo. Em particular, eu gosto das minhas lembranças, algumas são como filmes interessantes de se ficar vendo e revendo.

Eu queria encontrá-la, controlá-la, dizer a ela que não pode aparecer assim tão de repente, tão frequentemente, ou dizer que eu gosto da sua companhia, mesmo enxergando a eminente contradição. Sem dúvida ela iria relutar em me abandonar, iria refletir o motivo de eu estar renegando-a em certos momentos e em tantos outros suplicar por a mesma. Venha cá, sirva-se de mais um copo d'água, essa é uma boa maneira de se pensar sobre o que dissemos um ao outro. O corpo faz promessas que a mente não consegue cumprir. Meu dia acaba e inicia, eu só não entendo quando. Mas ela é persistente e daqui não há de partir.

Eu então fico quieto, sem palavra, apenas admirando-a, talvez eu devesse admití-la dentro de mim, mas os que fizeram, disso se arrependeram amargamente e do lado deles eu ainda não vou estar por enquanto. Pois bem, se assim que queres, assim será, deixo você cá, perto de mim, sem reclamar, faço do meu chão o seu, só não me abandone também, pois se da solidão não posso ter companhia, do que hei eu de viver?

Leia-me com seu melhor sabor.