Logo ali vem a Caneta, displicente ela está a caminhar e avista alguém, parece alta e está de luto, cabeça baixa, parece chorar. A Caneta se aproxima, e pergunta:
- Quem é você.
A desconhecida vira, escondendo o rosto triste:
- Eu? Me chamo Grafite - Responde a Grafite sem dar muita importância a estranha.
- Ah olá Grafite, me chamo Caneta, estava passando e resolvi ver se você precisava de ajuda- Diz a Caneta, agora já pondo-se a partir.
- Oh, muito generoso de sua parte, mas creio que ajuda não é exatamente o que preciso - Responde a Grafite num ar pensativo, enquanto a Caneta interessa-se por tal discurso.
- Mas me parece claro que algo lhe perturba, já conheci muitas Grafites e a senhora não me parece como elas, nesta longa vestimenta preta, se outra vez não me engano, com os olhos tristes - A Grafite agora se vira com uma expressão contrariada para a Caneta.
- Pois se o senhor conheceu tantas Grafites esqueceu-se de perceber que não sou uma grafite qualquer. Melhor dizendo talvez nem seja uma Grafite - A Grafite agora baixa a cabeça e tenta desviar o seu olhar para o horizonte.
- Hm, pois se muito bem me lembro, de todas que conheci, você talvez seja a mais diferente realmente - Declara a Caneta com confiança.
- Oh, então o senhor percebeu?
- Com certeza! Nunca vi uma Grafite tão singular quanto a senhora, quero dizer, todas as outras que eu conheci não delongaram em apenas me ignorar e fingir que eu simplesmente não me dirigia a elas. Eram sempre de tamanha arrogância que suas pontas não cabiam em si. A senhora me parece tão simples e única, se me permite dizer, que não duvido seja um modelo especial que nunca conviveu em papelarias, estojos e gavetas - A Grafite confusa tenta entender os elogios.
- O senhor está com algum parafuso solto? Não vê que sou apenas uma peça quebrada abandonada ao passado?
- Não é possível, estou pleno de minhas faculdades mentais para afirmar que a senhora é além de inteira, uma peça de extrema raridade- Sorri carinhosamente a Caneta.
- Ah não me venha com tolices, o senhor está é tentando me pregar uma peça.
- De todas minhas intenções essa definitivamente não é dirigida a você. Mas que mal lhe pergunte, por que a senhora não aceita meus elogios? Sei que não sou nenhuma Caneta chique, folheada a ouro ou muito menos vendida em caixas separadas, mas de minha sinceridade nunca poderá duvidar.
Depois de um breve silêncio, pôde-se perceber que a Grafite mudara a feição e estava agora numa mistura de reflexão e aflição.
- Bem, se é verdade o que diz, peço perdão por duvidar, mas a verdade devo lhe contar.
- Pois não.
- Não sou nenhum modelo especial, nem muito menos uma peça rara, muito embora o senhor não tenha percebido acabo de perder meu gancho, arrancado de mim. Sou agora um simples adorno da sujeira, inútil.
A Caneta vê então no ambiente o gancho estirado no chão, se abarca de toda situação e diz:
- Ah! Então é isso! A senhora é uma duquesa inglesa de peças encaixadas e removíveis. Que honra conhecê-la! Só não entendo porque acha-se inútil. - Exclama a Caneta a abrir um largo sorriso.
- Não, não, o senhor entendeu errado mais uma vez, sou uma peça barata, abandonada, tente entender que não sou única e muito menos uma duquesa.
A Caneta se aquieta por segundos e então diz:
- Siga-me.
- Onde? Não posso simplesmente seguí-lo - Mas a Caneta já havia ignorado a Grafite e segura-a pela mão levando por rua abaixo.
Alguns segundos de caminhada e eles adentram um lugar longínquo. A Grafite tenta identificar aqueles que vê, mas todos são extremamente singulares, uma caneta sem seu tubo a conversar com outra sem suas tintas, como poderia ser possível? E olhe aquele apontador sem lâminas, "oh meu deus, como deve estar sofrendo" pensou ela. Depois de alguns momentos ela se vê percebida por todos, enquanto a caneta, que nunca tinha visto Grafite tão bela e conservada, se aproxima com um sorriso leve, tira seu bocal, que outrora fora remendado por dentro com cola super colante, diz:
- Agora sim, você é igual a todos nós.
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