Você olha pra ela como se o corpo fosse realmente alguma coisa útil. Quantas vezes ele não serviu de felicidade a tantos, e por que você se importaria? A relação entre as pessoas não é nada mais que uma selva, pronta pra te jogar da montanha congelada. Mas você sorri, e eu vejo que não há nada mais quente do que sentir que um dia o que está quebrado agora, era inteiro antes, e eu continuo sem saber até onde você se entregou, até onde conheceram você, continuo sem saber se é alma e corpo, ou só alma. Não deveria importar.
Veja só que estranho, são inúmeras faces, inúmeros números, mas é de qualquer forma um destino inegável. A solidão no final das contas é a única que não vai ligar te dizendo que mais tarde não dá. Ok, aceito, entregue, sem problemas, você volta, sorri de novo, dessa vez com tantas perguntas, eu não consigo responder nenhuma. Talvez fosse de pensar que não fosse belo ver essas marcas no seu rosto, mas eu não posso negar a sensação de terra a vista, não posso negar que o primeiro direito burguês está enraizado nas minas veias até onde eu não imagino como chegar.
Calma, calma, não precisa temer, ainda se passaram poucos dias, quando você ligar a TV e nenhum canal te interessar será o tempo certo, o tempo de pensar. Mais uma estrada que abre o caminho até aquele lago escuro ladeado de pedras. Sinto vontade de ouvir uma respiração, de misturar os sentidos, de ignorar tudo, de me ignorar, de transformar tudo aquilo que é certo em errado. Vontade de saber o porquê. Vontade do gosto. Não veja mais com razão, nem coração, nem corpo, nem nada mais, simplesmente veja. Seja. Quando o dia terminar, o céu começar a partir do laranja para o azul, salte. Livre-se.
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