Absolutamente nada. Você acorda, olha sua agenda mental e não há mais nada, você até se sente aliviado por não ter uma consciência a te cobrar o que fazer, entretanto você realmente não sabe o que fazer. Ok, você acorda todos os dias o mesmo horário, com a mesma cara de sempre, nada mudou até agora. Nada substancial. Tanto faz é o que você pensa,olha para os seus livros, alguns são fúteis, outros são mais fúteis ainda, alguns você nunca se lembrará que algum dia leu, eles não te atraem de forma alguma. Passam-se duas horas, três horas, sua consciência diz que é hora de comer, mas não, não o seu corpo, o seu corpo ficaria por mais várias horas sem comer, e você não sabe bem o porquê de nada, mas tem que seguir os protocolos.
Você perde alguns minutos com um livro, alguns minutos com um instrumento, alguns minutos pensando sobre quem não muda, o dia vai passando, chega finalmente a parte que você mais gosta, quando tudo vai ficando azul frio, azul é legal, mas talvez esteja se tornando comum demais, provavelmente é melhor você escolher algum tom original de azul pra poder voltar a se sentir único. Tudo bem, não tem problema, agora o dia está acabando, você gastou algumas horas com rostos distantes, falsos e mágicos, remédios doces, mas por alguns segundos você infelizmente se pergunta, o dia realmente está acabando? Quer dizer, quando o dia acaba? Por que ele acaba? O que fazer quando ele acaba? E agora?
Tudo que na verdade você queria era se ferir e ver o sangue sair, se quebra, se machucar, é o que eles dizem sobre isso, faz você sentir vivo. Tantos vocês e nenhum eu, nenhum comigo, nenhum nós, nenhum. Triste é saber que não vai ser diferente pra você agora, mas se lembre de não lembrar de mim.
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